Atualidade | 06/06/2017
Deputados discutem em reunião sobre chacina ocorrida em Pau D´Arco
Deputado federal Éder Mauro (PSD) precisou ser contido por colegas ao questionar deputado estadual Carlos Bordalo (PT) sobre relatório que considera um massacre a morte de 10 trabalhadores rurais em Pau D'Arco.
Uma discussão entre o deputado federal Éder Mauro e o deputado estadual Carlos Bordalo marcou o início da reunião realizada nesta segunda-feira (5) na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), promovida por deputados federais integrantes da comissão que apura a chacina de 10 trabalhadores rurais na fazenda Santa Lúcia, em Pau D'Arco, no sudeste do Estado.

Nove homens e uma mulher morreram na ação policial ocorrida no dia 24 de maio em uma fazenda no sudeste do Pará. A Secretaria de Segurança Pública (Segup) disse que os policiais foram recebidos à bala quando tentavam cumprir 16 mandados de prisão contra suspeitos do assassinato de um vigilante da fazenda, no fim de abril. Parentes de vítimas da chacina contestam a versão dos órgãos de segurança do Estado de que os policiais reagiram a um ataque dos colonos: segundo os trabalhadores rurais, a polícia chegou na cena do crime atirando. Segundo os peritos do Instituto Médico Legal, em três corpos havia perfurações à bala na cabeça e nas costas.

A reunião foi convocada por deputados federais com o objetivo de produzir um relatório sobre o caso para encaminhar ao Governo Federal. Também participaram da reunião deputados estaduais, delegados, representantes de associações de policiais e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O deputado federal Éder Mauro precisou ser contido pelos presentes na reunião ao questionar o deputado estadual Carlos Bordalo sobre o relatório feito sobre o caso pela Comissão de Direitos Humanos da Alepa, presidida por Bordalo. O relatório descarta a possibilidade de que as mortes tenham sido resultado de um confronto com a polícia.

Segundo o deputado Éder Mauro, o deputado Bordalo chegou à reunião dizendo que ia se retirar após ler o relatório da comissão de direitos humanos, e Èder Mauro teria questionado a postura, pois queria que ambos estivessem presentes na discussão do caso. Éder Mauro diz ainda que se aborreceu após ter sido chamado de facista pelo deputado Bordalo e partiu para cima dele.
A assessoria do deputado estadual Carlos Bordalo informou que o encontro não era uma audiência pública, mas uma reunião convocada pela Comissão Externa da Câmara dos Deputados. No entanto, diversos representanets de classe de policiais estavam na sala. Após a reunião ser aberta, Éder Mauro teria gritado e initimiado Bordalo, "numa atitude que não condiz com um mandato parlamentar, o deputado federal impediu a minha fala durante a reunião". Bordalo decidiu deixar a reunião, após ser empurrado pelo deputado federal, aos gritos de "covarde" e "bandido". Já no seu gabinete, Carlos Bordalo recebeu parlamentares e apresentou o relatório.
Após o princípio de tumulto ocorrido no início, a reunião seguiu com tranquilidade, apesar da divergência de opiniões entre os presentes.

Relatório

Segundo o relatório apresentado no último dia 30 de maio, a quantidade de mortos de uma mesma família de líderes rurais indica que “é plausível afirmar que a operação tinha o propósito velado de desmantelar qualquer capacidade de rearticulação da ocupação favorecendo os pretensos proprietários e encerrando de vez o conflito agrário”.
O relatório de 18 páginas foi feito com base em depoimentos colhidos pelos parlamentares durante uma visita aos municípios de Pau D'arco e Redenção, para onde os corpos das vítimas foram levados, e aponta o estado como responsável pela chacina.

Testemunha

Durante entrevista exclusivida a uma equipe de reportagem da TV Liberal, um sobrevivente da chacina disse que escapou da morte porque ficou escondido no mato. Ele conta que está com medo, e que decidiu aparecer agora para pedir proteção. Ele disse ainda que a chacina não ocorreu no local que foi realizada a primeira perícia.
"Eu estava dentro do mato, debaixo do capim, com carrapicho, dentro de uma lama. Eles chegaram pela frente da sede, passando pelo açude que fica atrás da sede, até chegar onde nós estávamos dormindo, só que o local que eles mataram os meninos não foi ali, foi embaixo dum pé de pau, num pedral, tinha muita pedra. Não foi aquele lugar que aparece que eles levaram (a perícia)", revelou.
G1/PA
Deixe Aqui Seu Comentario

Nome :

Email :

Captcha

Comentario :

Aviso Importante: Os comentários publicados não refletem a opinião deste site. Os comentários publicados através deste sistema são de exclusiva e integral responsabilidade dos seus autores. Não serão publicados comentários totalmente em letras maiúsculas (caixa alta). O site reserva-se o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional também serão excluídos.

sites / blogs