Política | 30/08/2018
Márcio Miranda exige que Pará seja ouvido em processo de renovação de ferrovias
MÁRCIO MIRANDA: “Alguém está levando alguma coisa com essa pressa toda e não vamos aceitar isso”
O candidato ao Governo do Pará, Márcio Miranda, exercendo a função de presidente da Assembleia Legislativa e deputado estadual, esteve na última segunda-feira (27) defendendo o Pará durante audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Belém, no Hotel Radisson. A audiência tratou do processo de renovação da concessão das ferrovias no Estado e só foi realizada após a denúncia de que a renovação estaria sendo feita ao arrepio da lei, sem tais procedimentos como audiências públicas e discussões prévias. 
Além de Márcio Miranda, também estiveram presentes diretores da ANTT que vieram de Brasília, o senador Flexa Ribeiro, o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, secretários de Estado, vereadores e representantes de comunidades e da população em geral. 
A audiência iniciou por volta das 14 horas e só encerrou após às 19 horas, com o auditório de capacidade para cerca de 250 pessoas completamente lotado. Muita gente ficou fora e gostaria de participar, o que incentivou os pedidos de novas audiências, não só em Belém, mas também em outras regiões do Estado. 
Em seu pronunciamento, Márcio Miranda registrou a cobrança de todos. “Esse tema é relevante e não cabia nesse auditório. Nós queremos outras audiências, realizadas com dignidade, dando direito ao paraense para se manifestar. Essa nuvem que cerca essa pressa toda precisa ser dissipada. Alguém está levando alguma coisa com essa pressa toda e não vamos aceitar isso. Por isso, Marabá precisa ser ouvida, Rondon do Pará precisa ser ouvida, Parauapebas precisa ser ouvida. O povo do Pará precisa poder falar e não vamos aceitar que se faça desta forma”, disse Márcio Miranda.
Dirigindo-se aos representantes da ANTT, que estavam na audiência representando o Governo Federal, Márcio Miranda foi ainda mais incisivo. “Vocês estão aqui representando o Governo Federal. E vão levar nossos questionamentos. Saibam que é uma responsabilidade muito grande tratar deste tema e isso não pode ser assim, com o açodamento que está sendo feito. Este governo, que não tem legitimidade, que é acusado de ser golpista, está querendo dar um golpe no Pará. Como que, nós que estamos aqui, vamos explicar para nossos filhos, nossos netos que assistimos isso passivamente e não fizemos nada? Levem essa mensagem. Tentem compreender o que estamos dizendo aqui. Façam esta reflexão. Imaginem se este golpe fosse dado no estado de vocês. Vocês não aceitariam. Fica nossa indignação, nosso repúdio. Pela forma como isso tem sido conduzido. Se nada for feito, só temos uma saída: ir à Justiça!”, declarou Márcio Miranda.

RENOVAÇÃO SOB SUSPEITA: No início de julho deste ano, o Conselho do Programa de Parcerias e Investimentos do Governo (PPI) antecipou em quase dez anos o início do processo de renovação da concessão das ferrovias Carajás (Pará) e Vitória-Minas (parte no Espírito Santo). 
Para isso, definiu como contrapartida para a Vale, empresa que detém a concessão, o repasse de apenas R$ 4 bilhões para a construção de um trecho de quase 400 quilômetros da FICO (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste), entre os municípios de Campinorte (GO) e Água Boa (MT). 
A partir de então, iniciou uma grande mobilização da sociedade contra a medida, no Pará e no Espírito Santo. O governador Simão Jatene e o governador Paulo Hartung assinaram uma carta ao presidente Michel Temer, do MDB, rechaçando a medida. A Assembleia Legislativa, através do presidente Márcio Miranda, também se manifestou repudiando a atitude da União. Até mesmo sessão especial foi realizada no Senado Federal para debater o tema, convocada pelo senador Flexa Ribeiro. 
De acordo com estudos técnicos, o mercado estima em R$ 10 bilhões a renovação da Ferrovia Carajás. Valor, portanto, bem maior do que o Governo Federal exigia como contrapartida por uma ferrovia longe do Pará.
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