| 15/04/2016
RADAR 565
Abril Vermelho I
No próximo domingo (17) o massacre de Eldorado do Carajás, um dos fatos mais trágicos da história brasileira pós-ditadura militar, completará 20 anos. O confronto ocorreu quando 1.500 sem-terra que estavam acampados na região decidiram fazer uma marcha em protesto contra a demora da desapropriação de terras, principalmente as da Fazenda Macaxeira. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local, porque estariam obstruindo a rodovia BR-155, que liga a capital Belém ao sul do estado.

Abril vermelho II
O episódio se deu no governo Almir Gabriel. A ordem para a ação policial partiu do Secretário de Segurança do Pará, Paulo Sette Câmara, que declarou, depois do ocorrido, que autorizara "usar a força necessária, inclusive atirar". De acordo com os sem-terra ouvidos pela imprensa na época, os policiais chegaram ao local jogando bombas de gás lacrimogêneo. Segundo o legista Nelson Massini, que fez a perícia dos corpos, pelo menos 10 sem-terra foram executados a queima roupa.

Abril vermelho III
O comando da operação estava a cargo do coronel Mário Colares Pantoja, que foi afastado, no mesmo dia, ficando 30 dias em prisão domiciliar. Ele perdeu o comando do Batalhão de Marabá. O ministro da Agricultura, Andrade Vieira, encarregado da reforma agrária, pediu demissão na mesma noite, sendo substituído, dias depois, pelo senador Arlindo Porto. Uma semana depois do massacre, o Governo Federal confirmou a criação do Ministério da Reforma Agrária e indicou o então presidente do Ibama, Raul Jungmann, para o cargo de ministro.

Abril vermelho IV
José Gregori, que na época era chefe de gabinete do então ministro da Justiça, Nelson Jobim, declarou que "o réu desse crime é a polícia, que teve um comandante que agiu de forma inadequada, de uma maneira que jamais poderia ter agido", ao avaliar o vídeo do confronto. O então presidente Fernando Henrique Cardoso determinou que tropas do exército fossem deslocadas para a região em 19 de abril com o objetivo de conter a escalada de violência.

Abril vermelho V
O termo Abril Vermelho foi herdado das mobilizações que o MST faz historicamente neste mês. O episódio ficou conhecido como Massacre de Eldorado do Carajás, em alusão aos dezenove sem-terra mortos e outros 70 feridos no confronto com a Polícia Militar. Como lembrança do fato e da vida dos que morreram na luta pela terra, o movimento passou a intensificar suas atividades a cada abril.

Fórum
Conceição do Araguaia encerra hoje, 15, a quarta edição do Fórum Permanente de Assistência Social do Sul do Pará. O evento, realizado no auditório do Campus do Instituto Federal do Pará (IFPA), iniciou na quinta-feira com a participação expressiva de estudantes e profissionais da Assistência Social de vários municípios da região e renomados palestrantes. A programação tem como tema: “Educação, trabalho e envelhecimento na sociedade do capital, desafios para o assistente da Amazônia do século XXI”.
Delmiro Silva
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